Quem passa pelo Centro do Rio pode não perceber, mas o VLT Carioca circula sem cabos aéreos e com trilhos que só são energizados no exato momento da passagem do trem: um sistema que combina inovação tecnológica e altos padrões de segurança. A solução, chamada APS (Alimentação Pelo Solo), garante a alimentação elétrica dos veículos de forma controlada e está presente em cerca de 95% dos 28 quilômetros de extensão do sistema.
"Além da inovação tecnológica em mobilidade, o VLT Carioca cumpre um papel estratégico na valorização imobiliária na região, conectando diferentes modais de transporte de forma sustentável e com a preservação da ambiência da cidade. Recebemos muitos representantes de cidades brasileiras interessados nessa solução. Temos orgulho de representar esse serviço de vanguarda e excelência no Brasil", disse o gerente executivo de Manutenção da concessionária VLT Carioca, José Carlos Alves.
No modelo, a energia é fornecida por um terceiro trilho instalado entre os trilhos de rolamento, dividido em segmentos que só são ativados quando o VLT está sobre eles. Assim que o veículo avança, o sistema desliga automaticamente a corrente no trecho anterior, eliminando riscos para pedestres e para o ambiente urbano.
O acionamento desses segmentos é realizado por equipamentos chamados Power Boxes, instalados em câmaras subterrâneas ao longo do trajeto. Integradas ao sistema, elas também identificam a presença do veículo, autorizando a energização apenas naquele ponto. A captação de energia é feita por sapatas coletoras instaladas na parte inferior dos trens.
Nos poucos trechos onde o APS não é aplicado, como em áreas de manobra (Aparelhos de Mudança de Via), os veículos operam com energia embarcada em supercapacitores (dispositivos de alta potência semelhantes a baterias). A transição entre os sistemas ocorre automaticamente, sem impacto na operação.
Reconhecido internacionalmente, o APS possui certificação SIL 4 (Safety Integrity Level 4), o mais alto nível de segurança para sistemas ferroviários, assegurando que a energização dos trilhos ocorra apenas em condições controladas e seguras.
Com quase uma década de operação, o sistema conta com cerca de 1.200 Power Boxes, que passam por manutenção contínua e têm desempenho monitorado por indicadores técnicos. Até o momento, não há necessidade de substituição em larga escala, e a expectativa é que os equipamentos permaneçam em funcionamento ao longo do período de concessão, até 2038.